sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

EM BREVE...



Estamos ensaiando. Enfrentando o tédio, a falta de grana e procurando perspectivas. O Jarbas nos presenteou com um texto complicado e instigante. A produção é dele e não da Curva. Porém, a visão do jogo é a mesma, e ele assim como nós, mata um leão por dia para poder fazer sua arte...

"Born To Be Wild"
Texto e direção: Jarbas Capusso Filho
Com: Celso Melez; Didio Perini e Ralph Maizza


########### Estréia 7 de Abril ###############



Vicente_ Tá cada vez mais difícil acender um cigarro sabia? É o vento, o sereno o vazio das ruas. Onde foi parar todo mundo? E os nossos planos? As nossas idéias impetuosas e cretinamente originais?



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

SÓLON

...Creso mostrou a Sólon seus tesouros, o palácio, sua familia, no fim perguntou ao sábio se não o considerava o homem mais feliz do mundo. Sólon respondeu-lhe que não, que essa não era sua opinião.
Creso - Diga-me então quem é, a seu ver, o homem mais afortunado do mundo - insistindo.

Sólon- Um ateniense chamado Télis, que teve uma vida próspera, viu com seriedade crescerem os filhos e depois os netos sem jamais perder um sequer. E por fim morreu lutando contra os eleusínios e mereceu de seus concidadãos um monumento fúnebre no local onde heroicamente morrera.

Creso ficou desconcertado pois não podia acreditar que uma pessoa qualquer pudesse ser mais afortunado do que ele que era rei da Ásia, mas conhecendo a fama da sabedoria de Sólon, pediu que lhe desse ao menos o segundo lugar. Sólon então contou outra história:

Sólon - Havia uma sacerdotisa em Argos que tinha que ir com o carro sagrado até o templo de Hera para celebrar um sacrifício, mas, como os bois estavam todos nos campos, não havia animais para puxar o pesado veículo. A cerimônia não podia ser adiada e os filhos da mulher, Cléobis e Bíton, mandaram-na subir no carro, atrelaram-se na canga e puxaram penosamente o veículo até o templo. Comovida com tamanha devoção a mãe pediu que a deusa lhes concedesse o mais lindo prêmio e Hera ouviu a sua prece. Os dois rapazes entraram no templo e ficaram deitados para recuperar as forças depois da exaustiva façanha. Nunca mais acordaram.

Creso _ Só nomeia mortos!? Por que!?

Sólon_ Porque nenhum ser humano pode se considerar feliz antes de superar o extremo limiar, antes de concluir a vida com um saldo positivo. Cada dia pode ser portador de desgraças inesperadas, de indescritíveis sofrimentos e não há tesouros nem poderes humanos que nos livrem deles. Considero setenta anos o limite da vida de um homem. Agora, de todos esses dias compreendidos nos setenta anos, que no total são vinte e seis mil duzentos e cinquenta dias, nenhum nos traz exatamente o mesmo que o outro. O homem não passa de mera vicissitude...quem é muito rico nem de longe é mais feliz do que aquele que vive o dia-a-dia, a não ser que tenha a sorte de acabar bem a vida...

Alguns anos mais tarde Creso foi derrotado numa batalha campal às margens do Hermo pelo exército persa de Ciro o grande. Já estava com os demais prisioneiros amontoados para ser queimado vivo quando, na hora de atearem o fogo, gritou: " Estavas certo, meu hóspede ateniense!" Estas palavras salvaram-lhe a vida, pois despertaram a curiosidade de Ciro, que mandou libertá-lo a fim de saber o que significavam, e desde então o manteve a seu lado como conselheiro.

*Trecho do livro: Akropolis - A grande epopéia de Atenas - Valério Massimo Manfredi

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

...


Será mesmo que você torce por mim? Torce por nós?
Muitas vezes não acredito em suas palavras porque você não pergunta o que eu gostaria de responder sobre a minha vida. Você só pergunta o óbvio e o corriqueiro. E você só fala de você.

Você tem medo de me perguntar sobre meu sucesso de beco, e não suporta imaginar que talvez estejamos na sua frente na corrida. Que corrida?

Acha que tudo conspira contra você. Que todo mundo está falando de você. Você tem que aprender que cada um segue seu próprio caminho. Ninguém tem tempo de pensar em ninguém.

Mas
eu continuo acreditando na sua bondade. Que você sofre de fraqueza mas não de maldade. E aí repentinamente, você me surpreende com palavras doces escritas de modo irregular. E sim, me toca de verdade. Mas tenho que confessar que mesmo assim, ainda não herdou a minha confiança...



segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


Sexta feira vamos fazer a última apresentação do ano. A peça é "Fica Frio".


Em 2008 tentamos parcerias que não se consolidaram.


Fizemos novos amigos talentosos que vieram e ficaram mesmo assim. Mesmo sem um tostão.


Colocamos 3 espetáculos em cartaz na raça, e posso dizer com muito orgulho que conseguimos segurar 8 meses de temporada quase sem estrutura nenhuma.


Irritamos muita gente também. Faz bem encarar quem não olha para o próprio umbigo. Eles não esperam e você impõe respeito.


Em 2008 também deixaram a gente na mão. Aconteceu algumas vezes.


Teve gente que nos desrespeitou. Teve gente que desacreditou.


É fácil falar. Falar mal é mais fácil ainda.


Mas pra falar bem tem que ter muita bala na agulha , não é pra qualquer um.


Existe uma característica no ser humano que está em falta no mercado: a imparcialidade.


2008 tá acabando. Eu tô de saco cheio de 2008. Sempre preferi os números ímpares.



domingo, 30 de novembro de 2008

Não, eu não fui!


Queria ter estado lá sim. Eu curto o som do Queen desde que me conheço por gente. O meu pai comprou um cd, quando o cd ainda era um objeto raríssimo. Eu devia ter uns 9 ou 10 anos. Foi alí que eu conheci o Queen. Claro que os shows que rolaram essa semana não eram do Queen na verdade. Mas era o Brian May, era o Roger Taylor e era o Paul Rodgers tão elogiado pelo inimitável Freddie Mercury. Eu queria muito ter ido. Mas o preço do ingresso não tinha graça.

Cara, o mais barato custava R$250,00. E os melhores lugares já tinham dono: eram para "Mauricinhos" que tem conta GOLDEN PLUS nesses bancos da vida, ou para artístas globais. Esse país tá cada vez mais racionado. Nos últimos anos só vê um show bom quem tem muita grana ou pelo menos está disposto a pagar um dinheiro que vai fazer falta certamante. Tá tudo errado. O homem deveria ter direito a ouvir uma boa música, deveria mesmo.
((E tem gente que se recusa a pagar R$10,00 para ver uma boa peça de teatro)).
E pensar que eu já paguei R$12,50 para ver os Rolling Stones na pista de atletismo do Ibirapuera. Isso mesmo, R$12,50. Paguei R$40,00 para ver os mesmos Rolling Stones detonando no Pacaembú na turnê do Voodoo Lounge. Já paguei R$20,00 para ver Deep Purple, Whitesnake, Scorpions, AC/DC. Bons tempos esse, hein!?? E nem faz tanto tempo assim...
Como diria nosso velho amigo Karl Marx:
"Foi-se o tempo em que o grasnar dos gansos poderia mover o capitólio!"
Na foto: Brian May detonando!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008


Tô de saco cheio
da palavra "classe".
Enjoado da frase: e aí, o que você achou?
Com ressaca de debates, discussões e exposições do "eu".
Você não sabe mais do que ninguém.
Sua perspectiva é diferente, só isso.
A natureza é tão perfeita e o tempo passa de acordo com o conforto da poltrona que você está sentado.
Eu gosto mesmo é da chuva. E de assistir
"Fúria de Titãs"; " O Cadillac azul"; "Um tira da pesada", qualquer coisa que me distraia e que no fundo é muito mais inteligente do que qualquer frase sua!
*o desenho acima é um pôster do filme" O Cadillac azul"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OTIMISMO fechou sua primeira temporada maravilhosamente bem. Acho que vamos fazer uma sessão extra, mas ainda não sei quando. FICA FRIO tá rolando muito bem também. Tô cansado pra caramba e sem recursos, mas já começo a pensar qual vai ser a próxima investida teatral. Mesmo sem dinheiro não consigo deixar de fazer teatro.Por que será? Teatro é uma droga mesmo. Das mais corrosivas e alucinógenas. Dá pra entender???

"A bola da vez"- 2003 - Essa foi a primeira...um dia desses voltamos com ela.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Me diga, quem está "feito" na vida???

Entro no orkut de uma amiga antiga (dos tempos de adolescência) pois é aniversário dela e por isso deixo aquele scrap quase mecânico com minhas considerações. Aproveito para olhar em seu álbum de fotos e encontro vários camaradas, das antigas, aqueles que na maioria eu nunca mais vi, ou vejo uma vez por copa do mundo. Uns estão casados, com filhos, outros continuam iguais, outros já nem mais estão aqui...partiram precocemente, porque a vida é assim mesmo, uma piada.
Acabo sabendo de um e de outro, e as novidades não são muito diferentes do que eu imaginava. Olho pros meus amigos mais antigos, e dou uma olhada pros meus amigos mais recentes, 96% estão na mesma, ou seja, igual a mim...eu busquei uma profissão complicada pra caralho, nem melhor nem pior do que qualquer outra, porém busquei algo que eu realmente desfrutaria, e o sabor é essencial nas trilhas da vida; sem sabor nada tem sentido.
Acredite, 96% dos meus amigos ainda não estão ricos ou quase ricos, incluindo os que se enquadram perfeitamente no sistema e/ou na tecnologia. Mas mesmo se estivessem, não mudaria minha opinião.
Dinheiro é importante, e eu também vou atrás dele, mas sou implacável com o que eu detesto, isso eu não faço e acho que ninguém deveria fazer. Também não acho certo planejar muito; faça e pronto, assim você descobre, assim você vive...tô cansado de gente que espera alguém no topo do escorregador pra descer junto, porque tem medo de ir sozinho. Eu faço o que eu faço por mim, e não por você, é assim que tem que ser, e quero que você quebre a cara como quiser quebrar, e deixe eu me ferrar como eu quiser...

Vi essa num filme Italiano uma vez: "Se você quer contar a Deus uma piada, conte a ele sobre seus planos!"

P.S - Assista "Otimismo" e "Fica Frio" - entre outras coisas, elas tratam disso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Re-estréia : FICA FRIO

Mais um espetáculo do singelo banco de dados da Curva volta em cartaz essa semana, trata-se de "Fica Frio" - Uma road peça, de Mário Bortolotto, que montamos ano passado, e que voltamos com ela pra fechar com chave de ouro o ano de 2008!!



Fica Frio - Uma road peça

Texto - Mário Bortolotto

Direção - Didio perini

Com - Marauê Carneiro; Ralph Maizza e Walter "Batata" Figueiredo

Onde: Teatro X - Rua Rui Barbosa 399

Quando - Sábados as 21hs!

Quanto - R$10,00 - (meia)

...e a peça "Otimismo" continua aos Domingos as 20hs também no teatro X até final de Outubro!!!!!



"Otimismo"

Texto - François Marie Arouet ((Voltaire))

Adaptação e direção - Ralph Maizza

Com - Celso Melez; Celso Tourinho; Didio Perini; Flávia Tápias; Marauê Carneiro; Mariana Blanski; Ralph Maizza; Ricardo Gelli; Rui Xavier e Walter "Batata" Figueiredo.

Onde - Teatro X- Rua Rui Barbosa 399

Quando - Domingos as 20hs!! ((até 26 de Outubro))

Quanto - R$10,00 (meia)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Flutuando

- Jacek Wojszczerowicz era velho, pequeno, jamais foi bonito. Tinha o rosto devastado pelas rugas e uma calvície avançada. Era polonês e ator. Depois de um enfarte, os médicos lhe ordenaram que não atuasse mais. Continuou. Veio um segundo enfarte. Os médicos previram uma morte próxima se continuasse aparecendo no palco. Persistiu: duas vezes por semana, vestido com uma pesada armadura, arrastando o passo como se um segredo bem guardado o oprimisse, era Ricardo III. Dois dias antes, começava a preparar-se para a estréia, alimentando-se somente de caldo e bebendo água. Caminhava de cima para baixo na sua casa, sem deter-se jamais, como se para reafirmar a seu próprio corpo: “Conseguiremos!”
No dia do espetáculo, jejuava como um religioso que se prepara para a cerimônia. Porém, só pensava em alicerçar seu estômago para a fadiga do espetáculo. Às três da tarde, saía de sua casa e se dirigia para o teatro com passo obstinado, murmurando as palavras de seu texto. As pessoas que o viam passar acreditavam que estava bêbado ou louco. Depois , vestia-se com sua armadura. Chegava, então, o momento em que seu olhar vagava além de seus companheiros ou dos espectadores, como se para espiar a morte.
_ “Compreende? Não atuo para o público. Atuo para Deus.”
Em Varsóvia, na escola de teatro, onde vivi meu primeiro dia de aprendizagem, pensava que só os doentes de coração deveriam ser atores.

Eugenio Barba

sábado, 20 de setembro de 2008

QUADROS

Stanley Kubrick

Eu gosto de cinema. É a fonte para o meu trabalho de ator, diretor (e por que não de autor?). Kubrick ainda é meu favorito. A maneira como suas cenas aparecem como "pinturas" em filmes como "Barry Lyndon" e "Laranja mecânica"são geniais. Sim, eu me inspiro nele. Se isso fica ou não evidente nos meus trabalhos de direção não importa, mas eu gosto de pensar que utilizo a obra dele como fonte para minhas idéias. A genialidade de Kubrick é para poucos na história do cinema. Ele é o melhor exemplo para o que eu quero dizer nessa postagem.
"Noite na Taverna" - 2005 - Em cena: Mariana Uchôa; Daniel Sommerfeld e Monalisa Dantas

Eu gosto de ver "quadros" no teatro. É um dos signos mais interessantes. O teatro não deixa de ser uma grande moldura, onde se insere fantasias, sonhos, delírios.
(((nos séculos passados, os burgueses brincavam de ficar estáticos como "quadros vivos" imitando pinturas famosas, como crianças brincando de "amarelinha")))
No teatro, as pinturas tomam vida e emitem significados variados.

"O mistério de Charles" de Marcos Gomes - 2006 - Em cena: Fabíola Ramos e Daniel Sommerfeld

Por que os quadros são emoldurados? A moldura os desprende da natureza; ela é uma janela que dá para um espaço inteiramente diferente, uma janela para o espírito, onde a flor pintada não é mais uma flor que murcha, mas uma interpretação de todas as flores. A moldura a coloca fora do tempo. O que uma moldura nos diz? Ela diz: Olhe para cá, aqui você encontra algo digno de ser visto, algo que está fora do acaso e da transitoriedade; aqui você encontra o sentido que dura!

Max Frisch

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Morre Richard Wright do Pink Floyd

Roger Waters; Nick Mason; Syd Barret e Richard Wright em 1967.

A vida passa mesmo...nossos ídolos estão morrendo!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Teatro antigamente tinha um pacto com os deuses. Atualmente não passa de uma "mina de finanças".
(de um livro de Jean -Jacques Roubine)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

As faces de Cacambo!

Quem já assistiu a peça "Otimismo" em cartaz em São Paulo, sabe que o personagem Cacambo (vulgo Celso Melez) tem várias facetas! No espetáculo não podemos entrar em detalhes sobre suas profissões e aventuras, por isso, atendendo a pedidos, mostraremos algumas imagens inéditas sobre a vida do nosso herói!!!


Acima, Cacambo cai na noite em São Paulo, descobre o drink "bomberinho", perde a comanda, o controle, a dignidade e dança ao som do INXS.




Cacambo em 1974, época em que era diretor do Centro Acadêmico de "canto e voz" e perito em tiro ao alvo. Época também em que escreve a sua polêmica tese sobre Bruce Lee, dizendo que pode provar que o astro aprendera a lutar numa gafieira aqui no Brasil.












Aqui, em 1992 quando decide investir numa nova carreira acadêmica. Ao lado de seus professores de cursinho: Castrilo, (professor de informática e viagens aplicadas), e Glauco, (seu instrutor de Tênis).












Cacambo é abordado por fãs na saída de uma delegacia na Noruega. Os fãs oferecem cerveja ao ídolo, mas Cacambo não aceita, diz não poder beber pois tem alergia a lúpulo.






E finalmente no espetáculo "Otimismo", ponto áureo da sua carreira onde segundo o próprio:
_ A galera do Teatro da Curva é fantástica, meu irmão! Eles até autorizam a minha imagem de Jedi na tv!