terça-feira, 21 de setembro de 2010

PAPO SÉRIO !

Ando me perguntando muito o que me leva a pisar em um palco. Não que tenha dúvidas daquilo que faço. Apenas gosto de me perguntar, sempre, o quê estou fazendo. Faço assim em tudo na vida. Todos os dias me pergunto se estou levantando da cama certa, exatamente como faço ao me perguntar se é correto deitar-me onde estou me deitando. Acho que isso ajuda a fortalecer minhas convicções. Fortalece os meus caminhos. Perguntei-me se deveria escrever nesse blog, a que tive a honra de ser convidado a fazê-lo, diga-se de passagem, pelo meu comparsa e brother Ralph Maizza. O mesmo cara que me convidou um dia pra fazer Medusa de Rayban e também a integrar o Teatro da Curva. De Medusa pra cá já vão alguns poucos anos. Um pouco menos do que essa minha breve carreira de ator que já dura cinco anos. Jamais imaginei que pisaria em um palco um dia. Até os 35 anos a única coisa que tinha feito como ator em um palco de teatro havia sido "Chico Bento, caboclinho alegre e cansado" .Lembro-me de ficar com muita vergonha e é só. Eu tinha apenas cinco anos.
Na verdade não ando me levando muito à sério. Não posso mais levar as coisas tão à sério. Faço 41 anos agora, dia 6 de outubro, não plantei a porra da árvore, não arranquei um rebento da barriga de ninguém e ainda não escrevi nenhum livro. Não tenho casa, carro, dinheiro e uso quase sempre as mesmas roupas que acabam virando quase sempre meus próprios figurinos,
ou seja, sou também uma daquelas figuras que os hipócritas costumam rotular de fracassado e, como tal, me dou o direito de lutar, persistir, trabalhar única e exclusivamente pelo prazer de fazer o que faço e de ter ao meu lado amigos queridos e uma mulher muito bacana pra tocar adiante meu "fracasso". Já to bem maduro pra poder não me levar muito a sério. O paradoxo disso tudo é que é exatamente por isso, por não me levar muito à sério que me entrego a tudo que faço. Do contrário, se eu realmente me levasse a sério, não teria subido em um palco aos 35 anos; não teria feito as peças que disse ter feito; não teria atravessado o oceano, não teria aceito integrar o Teatro da Curva, não seria parte do "Cemitério de automóveis",não teria sequer escrito este post e, teatro para mim, seria apenas uma vaga lembrança de um caboclinho alegre e cansado.

domingo, 5 de setembro de 2010